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sábado, 19 de junho de 2010

Humor do RN: Edmar Viana



No dia 25 de março de 2008, o Rio Grande do Norte perdia Edmar Viana, uma referência no humor gráfico potiguar. Em parceria com o jornalista Everaldo Lopes, criador da coluna Cartão Amarelo, Edmar marcou o espaço da charge na imprensa local, delineando com seu lápis um estilo de humor espontâneo, popular e ferino, ao denunciar as mazelas sociais, criticando-as graficamente desde 1973. Durante praticamente 35 anos, Edmar desfilou nas páginas dos jornais Diário de Natal e Tribuna do Norte seus personagens cuja construção revela uma nítida influência de Henfil. Seu traço era simples e carregado de um vigor e expressividade incomuns. Com seu jeito próprio de fazer humor, Edmar nunca almejou o rebuscamento filosófico e conceitual em suas produções. A charge de Edmar identificava-se, antes, com o humor popular, nascido das conversas em botequins, paradas de ônibus e feiras livres. Refletia, certamente, seu jeito de ser. Influência para todos os operários do traço cômico, nos quais me incluo reverentemente, Edmar deixa saudade. Não convivíamos tão de perto quanto deveríamos, mas nos poucos momentos em que trocamos algumas ideias sobre o tema do humor gráfico, Edmar sempre se revelou atributos de sua índole: receptividade, sinceridade, e simplicidade. Apesar da pouca convivência, a impressão que tinha é que éramos amigos íntimos, em função de sua atitude acolhedora. Edmar, deixou-nos órfãos, junto com o Pivete, seu personagem mais marcante. A saudade que nos deixou compara-se somente ao seu talento e contribuição para o riso potiguar. Abaixo, uma pequena amostra de seu estilo. São charges extraídas da obra que tentou resumir em 200 páginas sua produção: Cartão Amarelo - 30 anos.










terça-feira, 25 de março de 2008

Edmar, palhaço do traço


O humor potiguar está meio sem graça nesta manhã. Agora é certo. Definitivamente, Edmar não retomará sua coluna de humor, o famoso Cartão Amarelo, para alegrar o noticiário local com sua irreverência gráfica. Resta-nos pesquisar sua obra, relembrar os grandes lances de criatividade que marcaram sua trajetória de 35 anos de humor. Edmar não era apenas chargista. Seu personagem mais famoso, o Pivete, um moleque negro que driblava suas dificuldades no convívio social com muito sarcasmo e ousadia ficará na história. O humor de Edmar não era rebuscado, difícil de se entender; não era dirigido para intelectuais. Ele estava mais pra Didi do que pra Jô Soares. Edmar falava para o povão. Um simples "VÔTS!", um "VIXE!", um inquiridor "CUMA?" eram suficientes para arrancar o riso escancarado do leitor. Seu humor era circense; ele era um palhaço do traço. Embora tenha partido cedo, Edmar deixa-nos um legado de 35 anos de charges e cartuns. Se é dificil para nós quantificarmos essa produção, imagine a vã tentativa de qualificá-la! Meus primeiros contatos com a charge se deram através do Cartão Amarelo, durante o antigo segundo grau na igualmente antiga biblioteca da ETFRN. Aquelas leituras aguçaram meu humor latente. Ri muito e acho que aprendi a fazer rir por culpa de Edmar. Tive a honra de substitui-lo em 1983 no Diário de Natal por três meses. Quando ele desocupou aquela preciosa cadeira assumi seu posto com muito temor e despreparo, em 1988. Confesso que sinto um pouco de temor sem ter a companhia de Edmar nesta profissão onde aprendemos mais uns com os outros do que com cursos de formação. Assim como o Pivete, sinto-me um pouco órfão também. Cartão Vermelho pra morte!

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