domingo, 30 de março de 2008

Chuvas


Fazer charges é um exercício diário que exige soluções novas para questões antigas. Chuvas, violência, eleições, Natal, Ano Novo, Carnal, São João, tudo isso é cíclico e tem que ser retratado em uma charge, de preferência engraçada. E não é tão fácil fazer uma charge diária sobre um tema repetido como no caso do período de chuvas. Entretanto, isso tudo é muito bom (apesar da tensãozinha que dá) pois nos obriga a sermos criativos e evitarmos a repetição. Há sempre pairando sobre nossas mentes aquela pergunta: será que alguém já teve esta idéia? Será que eu mesmo já fiz esse desenho? Essa charge provocou isso em mim? Será que vocês já viram esta idéia em algum lugar?

quarta-feira, 26 de março de 2008

A vingança


Pivete foi criado por Edmar na década de 1980. Ele é negro, pobre, e retrata as artimanhas do menor que, mesmo excluído, nunca se dá por vencido. O pivete é o nosso Chaves potiguar.

É Zé, Dedé, Picolé
vendedor de picolé
Pastorador de carro, de canto na fila
Tem bicho-de-pé
Merece cuidado, carinho, atenção
Às vezes cascudo, bolacha, tapão

É assim:
Pede, comove, implora, chora, debocha
É bom de biloca, de bafo, de bola
Bom de recado, é ator na esmola

Defende um trocado
Na briga, suado
Um restinho de comida
Brinquedo quebrado

Qualquer coisa
Menino moleque
Menino pivete
Pivete moleque.

Texto de Edmar Viana, na apresentação da revista "Pivete, o retorno", de 1995.

terça-feira, 25 de março de 2008

Edmar, palhaço do traço


O humor potiguar está meio sem graça nesta manhã. Agora é certo. Definitivamente, Edmar não retomará sua coluna de humor, o famoso Cartão Amarelo, para alegrar o noticiário local com sua irreverência gráfica. Resta-nos pesquisar sua obra, relembrar os grandes lances de criatividade que marcaram sua trajetória de 35 anos de humor. Edmar não era apenas chargista. Seu personagem mais famoso, o Pivete, um moleque negro que driblava suas dificuldades no convívio social com muito sarcasmo e ousadia ficará na história. O humor de Edmar não era rebuscado, difícil de se entender; não era dirigido para intelectuais. Ele estava mais pra Didi do que pra Jô Soares. Edmar falava para o povão. Um simples "VÔTS!", um "VIXE!", um inquiridor "CUMA?" eram suficientes para arrancar o riso escancarado do leitor. Seu humor era circense; ele era um palhaço do traço. Embora tenha partido cedo, Edmar deixa-nos um legado de 35 anos de charges e cartuns. Se é dificil para nós quantificarmos essa produção, imagine a vã tentativa de qualificá-la! Meus primeiros contatos com a charge se deram através do Cartão Amarelo, durante o antigo segundo grau na igualmente antiga biblioteca da ETFRN. Aquelas leituras aguçaram meu humor latente. Ri muito e acho que aprendi a fazer rir por culpa de Edmar. Tive a honra de substitui-lo em 1983 no Diário de Natal por três meses. Quando ele desocupou aquela preciosa cadeira assumi seu posto com muito temor e despreparo, em 1988. Confesso que sinto um pouco de temor sem ter a companhia de Edmar nesta profissão onde aprendemos mais uns com os outros do que com cursos de formação. Assim como o Pivete, sinto-me um pouco órfão também. Cartão Vermelho pra morte!

Dengue

terça-feira, 11 de março de 2008

Emissário submarino


A idéia é simples: canaliza-se o esgoto e joga-se no fundo do mar. Como 3/4 do planeta é composto de água, tudo fica diluído e ninguém sente nem o gosto nem o cheiro. Agora, vai explicar isso pros peixes...

sábado, 1 de março de 2008

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